“Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”
(Paulo Leminski)
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Os homens precisam se lembrar de que as mulheres
conversam sobre problemas para se aproximarem e não necessariamente para conseguirem soluções. Muitas vezes uma mulher quer somente compartilhar seus sentimentos
sobre seu dia, e seu marido, pensando que está ajudando, a interrompe oferecendo um fluxo contínuo de soluções para os seus problemas. Ele não tem a menor idéia
de por que ela não está satisfeita.
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Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
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O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa
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Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa
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Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti
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Estudo mostra que a felicidade é contagiante
LONDRES (AFP) – A felicidade é contagiante e se propaga “por ondas” dentro de círculos de amigos ou de membros de uma família, mas não entre colegas de trabalho, revela um estudo que será publicado nesta sexta-feira pelo British Medical Journal (BJM).
Os autores do estudo estabeleceram que grupos de pessoas felizes e infelizes se constituem segundo critérios de proximidade social e geográfica. Por exemplo, a probabilidade de que uma pessoa seja feliz aumenta 42% se um amigo que mora a menos de 800 metros dele é feliz. Este número cai para 25% se o amigo mora a menos de 1,5 km, e continua declinando a medida que aumenta a distância.
As chances de felicidade aumentam em 8% em caso de convivência com um parceiro feliz, em 14% se um parente próximo feliz mora na vizinhança, e até em 34% em caso de vizinhos felizes.
“As variações no nível de felicidade de um indivíduo podem se propagar por ondas dentro de grupos sociais e fomentar uma ampla estrutura dentro de uma rede, criando assim grupos de pessoas felizes ou infelizes”, consideraram os autores do estudo, os professores Nicholas Christakis, da Harvard Medical School, e james Fowler, da universidade de San Diego.
Contudo, esta tendência não se verifica no trabalho. “Os colegas de trabalho não afetam o nível de felicidade, o que faz pensar que o contexto social pode limitar a propagação de estados emocionais”, segundo o estudo.
“Este estudo revolucionário pode influenciar a saúde pública”, avisou o BMJ em seu comunicado.
“Se a felicidade se transmite, de fato, através das relações sociais, isso pode contribuir indiretamente à transmissão semelhante da boa saúde, o que tem sérias implicações para a elaboração das políticas”, avaliou a publicação.
O estudo foi realizado com 5.124 adultos de 21 a 70 anos, entre 1971 e 2003.
Uma Boa Notícia!
http://antenadissima.wordpress.com/
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Gosto e preciso de ti
Mas quero logo explicar
Não gosto porque preciso
Preciso sim, por gostar!!!
Mário lago
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Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”
(Paulo Leminski)
Esse negócio de escrever é esquisito.
Pode ser profissão,
Pode ser desabafo, passatempo.
Pode ser aspiração.
Pode ser arte.
Pode ser terapia.
Muitos blogs por aí são tentativas de terapia em grupo,
muitos leitores de blog vagam pela rede em busca de identificação.
E encontram, claro, pois os problemas são basicamente os mesmos.
As musas são poucas.
As circunstâncias não são tão variadas, também.
Todas as canções são de amor.
Perdido, encontrado, sonhado, negado.
Os cigarros não são mais suficientes.
Hoje eu tenho um remedinho que aos meios toda noite me acolhe.
Mas a minha vida não alardeia um sentido, se é que alguma o faz.
Eu chego em casa e não sei o que fazer.
A TV também não dá mais conta.
É quase tudo muito igual, e preciso me esforçar para focar minha atenção.
Em uma semana vil, sete livros me resgataram,
assuntos difíceis, raciocínios complicados.
Fuga.
Todo mundo foge.
Álcool, baladas, drogas, TV ou livros.
Qualquer coisa para parar de pensar.
Olhar para dentro é importante, mas é muito cansativo.
Escrever é olhar para dentro, eu sinto,
mas sempre se acaba manipulando os assuntos que afloram.
Por isso escrever às vezes dói.
Dói encarar, dói manipular, dói recriar.
Recriar é admitir o desejo por uma outra realidade.
A não ser que isso seja apenas diversão.
Mas esse é um outro tipo de escritor.
Ou alguém em um outro momento.
Eu escrevo por profissão,
mas minha profissão é vender.
E isso tira o valor do meu texto.
Eu me sinto vazia.
Minha expectativa é muito alta.
Minha cobrança é pior.
Meu conteúdo nunca está à altura.
Mas eu preciso me tratar.
Eu preciso escrever sem tema, sem prazo, sem verba.
Sem pauta, sem dupla, sem produto.
Meu produto sou eu, e eu não quero me vender.
Ninguém tem nada com isso,
mas eu preciso escrever.
Preciso falar do táxi, do almoço, da terapia.
Do cheiro de alecrim que saindo do forno faz a alegria do meu fim de semana.
Da falta que eu sinto de ter um gato.
Da culpa que eu sentiria em trancar um gato num apartamento.
Da tristeza de ver tudo errado em todo lugar.
Dos momentos angustiantes da solidão de não fazer parte de nada.
Dos momentos prazerozos da solidão de não ter que agradar a ninguém.
Às vezes fica mais difícil, mas é tão mais difícil para tanta gente.
Mas assim é que é.
E é isso que preciso tirar de mim.
E é este o meu espaço. Pois não sei mais escrever à mão, parece.
E se alguma coisa interessante aparecer no meio da bobagem, legal.
Se não, paciência. Esse não é meu objetivo.
Poderia escrever a noite inteira, mas chega.
Quero tentar outra coisa.
Quero relaxar.
E seguir escrevendo e procurando com calma.
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